terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Minha primeira vez.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
a saga de um héroi se inicia
Mas, no fundo, não se trata de sexo apenas. E quando falo isso, não menosprezo a união sexual humana, sabe você. No fim, o que mais importa é companhia. Sentir-se querido. Perdoe-me por trazer a este blog um ar sentimental quase tão barato como os programas sexuais do centro da cidade. Eu só me pergunto: estamos sempre sedentos por sexo? Ardentemente prontos?
Não sei. Tô me sentindo um broxa. Desses tão broxas, que não se deixaria seduzir por qualquer artifício da mulher mais atraente: esta, que nos atormenta com pesadelos sexuais e que nos faz seguir cada passo seu meticulosamente, com coração e, quem sabe outras coisas, na mão.
Quando digo que sou incorruptível a qualquer artifício, entenda-me sério. Imagine-me sentado num banco qualquer, a refletir sobre coisas importantíssimas de cunho político global, quando me aparece ninguém menos que ela, a querida das minhas pujanças carnais, soberbamente ajustada a sua roupa, com um sorriso malicioso nos lábios como suas palavras:
- O que cê ta fazendo aqui sozinho? (Talvez eu seja levemente pervertido por encarar uma frase tão marcadamente comum como um convite).
- Eu? Fingindo-me introvertido e solitário para descolar a pena de alguém. (É verdade que, a primeiro plano, eu pareça mais desavergonhado, mas vejamos).
- Eu sabia que você não deveria prestar. Aproveitando-se dos sentimentos altruístas das pessoas para lucrar com isso. Você deveria se envergonhar. (Neste exato momento, ela me toca o rosto e senta-se).
Depois desse gesto, todo um comentário se faz necessário. Ver a forma como ela sorriu sutilmente de canto de boca e não disfarçou o olhar, digamos, me assustou. Sentar-se do meu lado; tocar meu rosto; sua demonstração de interesse me pareceu clara e inegável. Dizendo em outras palavras, se eu esperava por um momento para colocar a camisinha, era aquele.
- Estou totalmente envergonhado e vou-me retirar para poupá-la.
- Não vejo do que vai me poupar ao sair. Você quer dizer poupar-se, né? Pelo jeito, não passa de um cordeiro, esperando o abate...
Meu deus, é atrevida. Como ousa chamar o senhor da coragem de cordeiro? Será se já percebeu que sou brocha também? Estava justamente a pedir os céus que me livrasse daquela situação, que me carregasse para um canto seguro, que derrubasse um meteoro, quando ela se aproximou mais e depositou a mão na minha coxa.
- Tô te assustando, criatura indefesa?
Não me saíam palavras, o mais próximo disso era um som gutural somente advindo com dores parecidas a parada cárdica. Mirei-a; que olhos... Fechei os meus e pensei que tinha que decidir naquele instante. Havia dois caminhos possíveis:
1º) Ou pego a mão dela e tiro da minha perna. Levanto-me ofendido, digo que não é tão simples assim conseguir algo comigo e vou-me embora.
2º) Ou digo que sou broxa e vou-me embora humilhado.
Embora a segunda opção fosse tentadora, tenho um quê de masoquismo aflorado, optei por agir conforme a primeira, esforçando-me como poucos seriam capazes para parecer verdadeiro.
- Desculpe madame. Mas não é tão fácil assim me corromper com prazeres mundanos; parece que você me entendeu mal.
Nem terminei de dizer, levantei-me e segui rapidamente meu rumo, quando fui, quem diria, tomado de assalto por uma mão forte a me segurar e a me conduzir a parede. A visão que tinha era de seu rosto, centímetros do meu, e aqui prefiro ressaltar a sensação que tive do seu corpo próximo, tão próximo...
- Prazeres mundanos? Vou preferir ainda mais se você for um eunuco. Mas sei que está bancando o difícil unicamente para me seduzir. Não minta...
Os centímetros que nos separava foram sendo pouco a pouco consumidos. Parecia estar diante de uma situação incontornável, não falo por ela, mas por mim, que a naquele momento já imaginava e torcia para que, em breve, conhecesse sua chama interna. Beijou-me, e que ardência tinha: chupava-me os lábios, lambia, mordia. Colocava sua língua de sobressalto em minha boca e me levava em movimentos vigorosos a querê-la inescrupulosamente.
Rápido demais talvez, minhas mãos perderam um pouco o controle. Apalpei em toda extensão suas costas, levantando a cada movimento contínuo um pouco sua blusa. Sentia o contorno do abdômen com a ponta dos dedos: nossa senhora, que gostosa. O grande erro da vida dela foi ter despertado o dragão do desejo a duras penas mantido adormecido, e, por tal feito, ela pagaria até a sua completa satisfação.
(continua)
domingo, 21 de setembro de 2008
Relato #1
Meu nome é Luísa Astori e sou dessas brasileiras miscigenadas, mas isso não vem ao caso. Tenho 25 anos e trabalho numa empresa de publicidade, meio período.
Ontem eu estava sem carro e tive de pegar ônibus para me locomover. Fui ao centro. Era de tarde e eu estava na calçada do Theatro José de Alencar; queria comprar filmes pornôs, queria alguma excitação nova. Meu corpo estava frio e há algum tempo; um frio inquietante, sedento, desses que pedem algo, uma sensação, um calor. Queria o choque do quente e do frio. Em casa, um filme, minhas mãos e outros objetos não seriam o bastante, em absoluto, mas me contentariam. E nunca tinha comprado desses filmes. Dias antes, tinha ido a um cinema pornô no centro, achando que a decadência, tanto do lugar quanto dos freqüentadores, fosse me dar um prazer bizarro, mas o ogro que se sentara ao meu lado de pinto para fora, uma mão apertando a cabeça roxa do pau e a outra apertando meu braço, me fez abandonar a espelunca, brochada. Um verdadeiro filho da puta.
Não sou frígida, mas talvez esteja, e porque quero. Era fim de tarde, e fui de ônibus para o Dragão do Mar, fazer nada. Entrei em um museu, pensando em renovar idéias, mas só via falos e vaginas e sexo descontrolado. Estava em crise e não sabia lidar com ela. Casais passavam de mãos dadas, e me lembrara de minhas amigas e de seus relatos sexuais, conversando no intervalo do trabalho. Normalmente me excitava com as histórias, sabem, mas ontem tive nada.
Queria ir embora. No ponto de ônibus, um taxista primeiro me despiu e me comeu com o olhar e depois perguntou se eu queria táxi. É incrível como consigo perceber essas coisas. O 'não' da resposta foi imediato e saiu um 'obrigada' segundos depois. Ele parecia o ogro do cinema pornô. Em minha cabeça, o taxista se aproximava de mim, cutucando os dentes com um palito, me olhando como se me tivesse toda para ele e aquele cheiro nojento de suor, e meu ônibus chegara. Sentei antes da catraca, mas conseguia ver apenas o trocador e quatro pessoas de onde estava. Paguei, passei a catraca e sentei numa cadeira mais alta, da altura da do trocador e próxima a ele. Queria ficar no seu mesmo nível. Dali eu podia ver todos os quinze passageiros, fazendo todas as suas pequenas coisas tolas, e eles não me viam. A sensação foi legal. O controle era meu e me senti bem com isso. Gosto muito dessas cadeiras.
Olhei pela janela e vi um táxi passar. Lembrei do taxista-ogro e minha imaginação foi mais rápida que minha razão, e me vi excitada com a imagem inteiramente nova de uma transa no ponto de ônibus. Eu sentada na barra vermelha e ele em pé, me comendo, suando, urrando; as pessoas olhando; e eu gritava e de olhos abertos para vê-las, mas eu também com nojo e excitada, e os carros passando, meu ônibus passando, o trocador olhando... E voltando à realidade, o trocador era o único que podia me ver olhar para os outros, então olhei para ele. Ele olhava para mim e disfarçou. O controle ali não era totalmente meu e preciso ter o controle.
domingo, 3 de agosto de 2008
Eu, Jack, confesso.
Desejo uma mulher. E tenho considerável temor ao afirmar isso. Desejo-a, no entanto. Discretamente, persigo-a com os olhos. Por conta de toda minha cautela, mal a vejo, mal a escuto, mal a sinto.
Como a desejo! Observei-a pouco em relação ao tanto que necessito. Ela é simplesmente, ardentemente, instigantemente, atraente. Não sou de descrever as mulheres como se faz usualmente: “uma gostosa deliciosa”, por exemplo; nem de ficar divagando em idealismos românticos, “uma pessoa perfeita”. Não sou um pervertido banal ou um adolescente idealizador das coisas mais triviais.
O que quero com ela, não consigo negar, é sexo. Talvez algumas vezes, em diferentes lugares, de variados jeitos. Eu a vejo todo dia! Na natação, onde é possível conhecer mais intimamente várias mulheres. Mas só ela tem se tornado quase uma obsessão. Seus braços, seus ombros, suas coxas, seus seios...
Sua lembrança me vem como um deleite. Irresistível, deliciosa, plena. E é casada! Quando soube até decidi mudar o horário, sou muitas coisas, porém, definitivamente, não sou um destruidor de lares.
Embora tenha decidido, não me esforcei muito para pôr
Há algo nela que me torna compulsivo. Descontroladamente, deixo, com esperança, que o acaso nos aproxime. E sei que não vai aproximar, não pode, nada vai acontecer. Isso é tão desanimador, é pior que descobri-la lésbica ou sem sexo.
Desejo-a sedentamente. Tenho que fechar os olhos ao mirá-la, para que, por um arrepio, não seja descoberto. Ando, nado a centímetros dela, quase sinto seu cheiro. Ouço sua voz, mas não a descodifico. Nem de longe posso parecer interessado; não é do meu feitio.
E quando nos olhamos? Assim, sem querer? Uma aflição me faz mudar rápido o olhar. Ah, pudera eu ser invisível para poder esquadrinhar famintamente. Eu examinaria minuciosamente cada parte...